
No intuito de aproximar você ouvinte com o projeto de extensão “Sua Escola Tem História” – Projeto desenvolvido no Programa de Estudos e Documentação Educação e Sociedade (PROEDES) e vinculado ao Complexo de Formação de Professores da Faculdade de Educação da UFRJ. Em parceria com o Núcleo de Estudos e Pesquisas em História da Educação Brasileira (Nephieb) da UNIRIO.
Traremos depoimentos de diversas pessoas que toparam nos contar um pouquinho da sua vivência nos tempos da Escola. Sim, todas elas têm no mínimo 20 páginas para relatar tais lembranças e tudo o que estava na memória… acho melhor enxugarmos este conteúdo (hahaha). Histórias essas que marcaram uma ou diversas gerações, sendo ela um marco na vida de cada um.
Com isto, damos início a nossa Série “Sua Escola Tem história” (isso tá me parecendo uma plataforma…). A série com a primeira temporada prevista para 2020, já te deixa em alerta para o que há de vir… Capítulos de relatos de ex alunos de algumas escolas do nosso Estado, colhidos por nós do grupo de extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Quem somos? Vamos nos apresentando ao final de cada postagem (estamos alimentando o clima de suspense, tá funcionando?)
Chega pra cá, pega a pipoca se quiser, e se permita experimentar a sensação de recordar sobre o tempo em que viveu em sua escola e de acompanhar através destes episódios histórias que marcaram gerações.
E no episódio de hoje apresentamos… “Escolas da Baixada”
Neste primeiro capítulo, queremos te contar a História do Colégio Estadual Barão de Mauá, localizado no município de Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro. Esta escola foi criada sob a denominação de Ginásio Embaixador Alcebíades Peçanha, em 1962, a partir da reivindicação de funcionários da Fábrica Nacional de Motores – FNM (Xerém/Duque de Caxias/RJ) (prestem bem atenção nessa colocação…). O Colégio funcionou inicialmente nas dependências da Escola Santo Antônio, de propriedade da FNM. Em 1964, foi incorporado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro com a denominação de Ginásio Barão de Mauá. Com a implantação do Curso Colegial, em 1966, foi renomeado Colégio Estadual Barão de Mauá.

Para dar sentido a esta história relatada acima, vamos trazer três depoimentos diferentes, mas em comum. Em comum por ser da mesma escola, mas completamente distintas. Prontos?

Cristiane Bittencourt formada em 1989 x Ingrid e Ianny Monteiro, irmãs gêmeas formadas em 2014.
Duas gerações, três vivências e muita história boa para ser lembrada…
Cristiane Bittencourt, 48 anos, atualmente moradora de um bairro também na Baixada Fluminense. Cristiane lembra do C.E Barão de Mauá de forma muito afetuosa e dos momentos marcantes que tivera com seus professores dentro do espaço escolar.
“A gente tinha uma professora chamada ****, professora de geografia e sociologia, ela costumava dizer pra nós que a gente tinha que aprender a viver para o mundo e não ficar [viver para a escola] somente e aprender o que tava ali. A gente tinha também um professor de literatura “muito show de bola”, que a gente ia lá pro meio do mato aprender literatura, era muito legal. ”
“(…) nosso professor de física era excepcional, eu me lembro que quando a gente entrou no colégio, na primeira aula dele, ele bateu a mão na mesa e disse que ia “ferrar” todo mundo, mas não nessas palavras, né? Em outras palavras. E era o cara que ensinava com alegria e todas as pessoas aprendiam física, aquela coisa que todo mundo tem medo, e conseguia tirar 10, né (…)”.
E também relata sobre os encontros que produzia entre amigos fora dos momentos de aula:
“(…) atrás do “Barão” tinha um terreno totalmente vazio onde a gente fazia as festas e ali a gente preparava muita, muita, festa! E ali a gente conseguiu mudar um pouquinho aquela parte de trás, colocar ela pra ser funcional. (…)E fora as amizades que permanecem até hoje, né? Pessoas maravilhosas, com conhecimento, com amizade mesmo e ajudar o próximo (…)”.
“Foi uma época boa, uma época muito boa”.
Como esquecer da metodologia de disciplina de sua escola? (Google Pesquisar). Mas calma, a Cris não precisou pesquisar:
“ (…) era muito rigoroso. A gente não podia ir com saia curta, blusa curta (…). Eles não permitiam, realmente, mas em compensação eles te ajudavam quando você dizia: “a eu não posso”, “minha saia tá curta porque eu não tenho dinheiro pra comprar outra”. E tinha sempre esses tipos de doações, que eles ajudavam sempre, sempre as pessoas que mais precisavam. ”
É incrível poder ouvir história de escola, não é mesmo? Olha quantas recordações boas que Cris teve em sua escola…. Essas lembranças fazem com que passe um filme na sua cabeça. Lembrou de alguma história sua na Escola? Conta pra nós nos comentários deste post.
Frase que definiria a Cris:
“Estudem para além dos muros da escola e façam conexões com seus colegas de classe”
Vamos te mostrar uma foto da Cris em sua colação de grau juntamente com seu pai na quadra que havia dentro da escola (optamos por zelar pelas imagens dos demais componentes deste registro).

A seguir, vamos contar um pouco da história das gêmeas Ianny e Ingrid, ambas moram também em um bairro da Baixada Fluminense hoje com 22 anos, e se recordam com carinho dos tempos em que viveram sua vida escolar no C.E Barão de Mauá.
Ingrid comentou conosco sobre a saudade da escola. Apesar de ter se formado recentemente, historicamente falando, traz consigo o afeto construído e as alianças cultivadas naquele tempo:
“(…) chegava uns minutinhos atrasada só pra pegar o mesmo ônibus que meus amigos, mesmo sabendo que iríamos nos encontrar na escola nos encontrávamos na cantina, e demorava um século pra escolher o lanche, mas sempre acabava pedindo o mesmo hambúrguer de forno de sempre, o horário do intervalo era pouco pra tanta história… e a preguiça de sair do “banco da conversa” e depois algum outro grupo pegar nosso lugar. Melhores coisas foram as boas amizades que fiz, e se mantém até hoje, meu grupo de melhores amigos, que são praticamente irmãos. ”
Ianny tinha o desejo de cursar Cinema na época da Escola e então resolveu registrar os momentos da turma para então, fazer com que sua habilidade pudesse servir de lembrança para outros amigos. Não vamos te deixar curiosos, vamos te mostrar as gêmeas:

O curso dos sonhos…
“Eu queria cursar Cinema, então resolvi produzir nosso vídeo de formatura. Comecei a registrar vários momentos da turma, até pessoas que eu não falava muito eu interagi, ali comecei a ver o quanto nossas vidas iriam mudar depois de concluir o ensino médio, cada um indo seguir pra um lado diferente, pra reunir todo mundo seria algo bem raro, então tínhamos que aproveitar aquele momento. ”
Se você chorou depois desse depoimento me dá um abraço? A Ianny permitiu que a gente colocasse o vídeo dos momentos de sua turma aqui, se você tiver curiosidade é só acessar esse link https://youtu.be/hrXXwOcvtvc .
Parece que não foi só a Cris que se recordou da metodologia de disciplina da escola.
31 anos depois, Ianny faz uma confissão pra nós…
“”Eles” eram chatos com uniforme, mas sempre andei com ele certinho, então nunca tive problemas”.
Pudemos acompanhar com estes depoimentos, o lugar de acolhimento que a Escola proporcionava tanto para Cris, quanto para Ingrid e Ianny. Como o C.E Barão de Mauá foi um espaço de aprendizagem para além das disciplinas e suas atribuições.
A proposta destes depoimentos é de aproximar você, cara(o) leitora(o) à boas lembranças das Escolas do Rio de Janeiro e com isso fazer uma releitura de momentos vividos nestes espaços.
Esse foi só o primeiro capítulo… O que mais vem por aí? Teve curiosidade? Não deixe de acompanhar nossas redes sociais e o Projeto de Extensão “Sua Escola tem História” da UFRJ. Vem muito mais por aí!
Todo conteúdo e registros apresentados, seguem os direitos de imagem e suas permissões conforme cada depoente
Por: Raíssa Machado – Componente do grupo de produção de extensão “Sua Escola Tem História”
